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Certificações em T.I. valem a pena?

Esse é assunto que sempre gera polêmica. A maioria dos profissionais de T.I. se sente atraída em tirar uma ou mais certificações como forma de comprovar sua competência, mas por qual motivo percebe-se um avanço significativo no número de especialistas das áreas de recrutamento e coaching que não aconselham a busca desenfreada por esse tipo de teste?

A verdade é que o mercado mundial de certificações está cada vez mais aquecido e o diploma de proficiência em alguma área de T.I. pode ser considerado um diferencial pela maioria das empresas. Há inclusive algumas seleções que colocam como critério obrigatório possuir um ou mais títulos para concorrer à vaga.

Obviamente que essas duas visões de carreira geram uma grande dúvida no profissional: vale a pena se dedicar aos estudos e realizar as provas ou o diferencial de um empregado vai estar em outras habilidades?

No artigo “Certificações em TI: uma necessidade ou pura invencionice?“, George Tillmann – um consultor de negócios e de gerência em T.I. – não recomenda as certificações na área e afirma que os títulos são muito úteis na contabilidade e na engenharia por motivos que não se enquadram na informática. No caso da engenharia, ele explica que uma característica importante para esse sucesso é que a formação aponta de forma inequívoca qual especialidade o profissional seguirá, ou seja, um engenheiro civil nunca será o responsável por projetar o motor de um carro, por exemplo. Já com a contabilidade, o autor faz uma brincadeira ao dizer que as atribuições de um contador “mudaram tanto nos últimos 400 anos quanto a composição física do feldspato”.

A T.I. não possui nenhuma das duas características mencionadas acima. Todos sabemos que o profissional da área precisa se atualizar constantemente, dada a velocidade com que novas tecnologias surgem, e é trivial encontrar nas empresas do setor analistas de sistemas que se tornaram gerentes de projetos, programadores que gerenciam redes, entre outras situações semelhantes.

De certa forma, concordo parcialmente com a visão de Tillmann. Onde trabalho, por exemplo, o Diretor de T.I. tem formação em Engenharia Civil, Mestrado em Computação Aplicada com ênfase em Informática Educativa, já trabalhou como programador e recentemente tirou certificação PMP, fato que o credenciou a se tornar instrutor de Gerência de Projetos em cursos para o Governo do Estado. Essa dinâmica do mercado de T.I. não representa algo negativo, mas sim força a renovação das empresas e as coloca no topo das mais dinâmicas em termos de mercado.

Por outro lado, o Institute Data Corporation (IDC) Brasil divulgou que o salário de um profissional certificado pode ser até 100% maior do que o de um concorrente sem títulos. Em termos de seleção para vagas, aumentam em 53% as changes de um profissional com uma ou mais certificações conseguir um emprego, em relação àquele que não possui.

No Brasil há ainda uma particularidade: existe uma valorização acima do normal pelas certificações no mercado de trabalho. A explicação está na carência de trabalhadores na área de informática – o que na prática não é uma realidade somente do nosso país. Segundo Greg Astfalk, cientista chefe da HP, “a demanda por profissionais cresce cerca de duas vezes mais que o Produto Interno Bruto (PIB) dos países, o que gera a carência” por profissionais capacitados. Some-se a isso tudo os níveis de desemprego divulgados pelo IBGE nos últimos tempos, que cairam a valores consideravelmente baixos, chegando a bater algumas marcas históricas.

Tirar certificação, portanto, pode ser realmente um diferencial no currículo, aumenta consideravelmente as chances de entrada numa empresa, mas não garante sucesso na carreira. Diferenciar um profissional que realmente aprendeu para realizar as provas (seja através de curso ou como autodidata) daquele que apenas decorou um Test Killer para ser aprovado é questão de tempo quando se faz parte de uma equipe. O que as empresas precisam, na verdade, é de funcionários com iniciativa, versados em mais de uma área e que aprendam algo antes de ser lançada uma apostila sobre um determinado assunto.

Assim, busque capacitar-se constantemente – seja através das certificações ou não -, leia muito (não somente sobre T.I.), aprenda a trabalhar em grupo e a interagir, e se aprofunde nos estudos de algum idioma. Porém, se há um desejo de alcançar níveis mais altos na hierarquia da empresa, não esqueça de conhecer outras áreas de conhecimento além daquelas com as quais trabalha no dia-a-dia, pois os currículos dos CIO’s serão um grande exemplo do que você deve fazer para alcançar o posto mais alto da organização em que atua.

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  1. Allan Dall Olio
    29/03/2011 às 11:41

    Caro Pablo,

    Concordo plenamente com o teor do seu artigo, acredito que o profissional de TI deva ter em mente qual é sua real intenção, ser um profissional de uma tecnoilogia especifica e tirar uma certificação para tanto, ou buscar possuir um conhecimento mais amplo porém não tão aprofundado em varias ferramentas e/ou aplicações.

    Portanto o perfil desajado pelo profisional de TI e que decide que caminho trilhar.

  2. Gabriel
    26/08/2011 às 10:03

    Realmente ótimo artigo!

  3. Paulo Correia
    25/05/2013 às 14:07

    Concordo plenamente com esta informacao’ nao tem comparacao.

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